quarta-feira, 16 de julho de 2008

Golaço

O bom senso falou mais alto e Caio Jr. fica. Notícia boa em tempo recorde. Pra mim principalmente, na figura de um blogueiro que não resistiria à chance de apelar para “geniais” “trocadalhos”, como o lançamento da “Campanha FiCaio” ou um post intitulado tão somente “Caio Jr” se as coisas dessem errado.

A notícia é boa principalmente porque mostra que o treinador reconhece a importância que tem um título nacional e assume a responsabilidade de levar o time até lá. E porque mudar a essa altura do campeonato - entre o fim do início e o começo do meio – poderia iniciar uma bola de neve trágica pro Mengão.

Imaginem só. O time volta de Curitiba com um empate ou derrota. Um resultado normal, visto que o Coxa ainda não perdeu em casa. Mas se isso acontece depois da saída do técnico, o resultado negativo vira um exemplo incontestável de como o Caio Jr. era responsável pela qualidade do time e de como o Flamengo está perdido sem ele. E a imprensa começa a ficar em cima. A torcida também. Começa a pressão, o nervosismo, a cobrança exagerada. E todo o bom trabalho vai por água abaixo...

Sem contar que o Caio deve assumir a coordenação das divisões de base rubro-negras a partir do próximo ano, um fato muito promissor. Já estava na hora do Flamengo começar a buscar o profissionalismo que falta pra voltar a ser grande.

Agora é se preparar para as duas próximas decisões: a permanência de Marcinho (nem tanto) e do insubstituível Juan.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A mesma praça...

Um bom empreendimento é aquele que adquire “vida própria”, que segue funcionando bem mesmo depois que o proprietário se afastou. Flamengo x Vasco é mais ou menos assim: o Mengão construiu uma história de soberania tão grande e com tanta competência que chega a dar a impressão que o Vice vai perder mesmo se ninguém entrar em campo.



Ontem as palavras do sábio Jardel não se fizeram valer. Do clima de clássico, só as arquibancadas lotadas do Maracanã, com a torcida rubro-negra, que já se acostumou a bater o recorde do campeonato, em previsível maioria. E tão óbvia quanto a presença da massa flamenguista foi a partida: um time bom contra um time ruim, o bom ganhou fácil.

Quando eu digo fácil, aliás, não digo pra humilhar, pra pisar. Digo porque foi mesmo. O Flamengo simplesmente não teve dificuldades. O Vasco parece percebeu isso logo no início e tratou de não atrapalhar muito. Não queria perder, lógico, mas jogou meio no estilo “se estupro é inevitável, relaxa e goza”.

Dizem que o Vice sempre ganha os jogos do meio do campeonato e perde os importantes. Ontem, contando Brasileiro e Carioca, foi o quinto jogo sem vitória. Pode deixar que ainda vamos gozar e muito.

Notas:


  • Ótima partida do Ibson. Dá gosto de ver ele jogar contra o Vasco, sempre vai bem.
  • Juan, pra variar, voando. Ainda bem que o técnico da Seleção é o Dunga!
  • Mais uma vez, Marcinho não jogou nada. Devido às circunstâncias até vou dar um “puta” desconto pra ele, mas o cara tem que aprender a soltar mais a bola! Solta a bola, Marcinho!!
  • A bruxa anda solta no Mengão: 4 lesionados em 2 jogos. Ontem foram Leo Moura e Jônatas. Isso mostra como é bom ter elenco.
  • Um crime o pirocóptero do Souza não ter entrado no final do jogo. Golear com o gol mais engraçado do Brasileiro teria sido tão mais legal...

Vai se Qatar!



Quando o Roger foi pro Grêmio, profetizei que ele sairia no final do ano pela porta dos fundos e escorraçado pela torcida. Tive aproveitamento de Bíblia - acertei 50%: ele realmente saiu fugido do Olímpico, mas depois de perder o Gauchão, a Copa do Brasil e de marcar quatro gols de pênalti no Brasileiro, era bem quisto pela gauchada.

O boleiro global deixou o tricolor gaúcho na surdina seduzido pelo Qatar. O Qatar, pra quem não sabe, é a nova Espanha: destino de inúmeras jovens promessas brasileiras, que logo deve se tornar outro celeiro de craques da Seleção do Dunga, a exemplo das potências Rússia e Ucrânia.

Achei certa a decisão do Roger. Se por um lado ele deixa o amor da Deborah Secco e de milhares de gaudérios, por outro enche o bolso de grana. O que, pra um jogador com o futebol dele, cujo a maior conquista na Seleção foi uma cabeçada do Lúcio, é um ótimo negócio. Sem contar que se ele resolver confirmar a fama de mulherengo e sair pra “Qatar” umas nativas, dificilmente alguém vai ficar sabendo.


Agora a bomba: o recém “time do Roger” não acabou os negócios no Brasil. Ainda querem tirar o Caio Jr. do Flamengo. Pra variar, a proposta é irrecusável – li por aí que é algo em torno de 6 milhões em dois anos ou algo do tipo. Se o treinador fizer jus ao oclinhos “muderno” e ao penteado de Millhouse, não vai.

Vamos supor que ele ganhe “pouco” no Flamengo, uns 50 mil. Dá 600 mil reais por ano. É muita grana. Ninguém precisa mais que isso pra viver com conforto, pra dar uma vida boa pra família. Dá até pra se acabar no luxo. Se o Caio Jr. continuar assim até o fim da carreira, o filho dele vai poder fazer festa com prostitutas dos 15 até o resto da vida!

Além disso, com o Mengão bem encaminhado, o Caio tem à frente uma série de desafios interessantes, com a chance real de transformar vários em títulos que vão enfeitar bem bonito o currículo dele. Agora, se for pro Qatar e as coisas não derem certo, nem todo o dinheiro do mundo pra comprar de volta o prestígio e a posição que ele tinha antes de sair.

A resposta parece que sai hoje. É mais uma final que o Mengão tem que vencer pra chegar ao Hexa. Pra cima deles, Kleber Leite!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Parabéns ao Fluminense...

... NOT!

Prazer, LDU

E lá se foi o sonho do Fluminense de enfim virar time grande. Afundou na frente de 80mil torcedores, que acompanharam de camarote a esperança desaparecer, voltar, virar certeza, virar receio, virar medo e acabar na pior sensação do mundo: da vitória que escapa como areia por entre os dedos.



Pior que o Flor jogou bem. Quer dizer, dentro do padrão do futebol deles. Ou seja: um time desorganizado taticamente e individualista, mas com grandes talentos. E o maior deles, Thiago Neves, finalmente resolveu jogar bola e marcou três pela primeira vez numa final de Libertadores. Os três que o Flor precisava marcar. Mas que não foram suficientes.

Não foram porque, ao contrário do que a torcida, boa parte da imprensa e o Renato Gaúcho pensavam, mais um time ia entrar em campo na noite dessa quarta-feira. E se não havia ficado claro em Quito, após quatro gols no primeiro tempo, que a LDU tinha um futebol além da sua tradição, eles trataram de reforçar logo aos 10 minutos de jogo. E foi aí que o grande plano do Fluminense desandou. Foi aí que a noite brilhante de Thiago Neves ganhou um "mas".

É óbvio que o tricolor tem muito mais time e foi com tudo pra cima. Mas merecia ter perdido. Merecia sim, porque puxou o freio de mão após o terceiro gol, aos 10 do segundo tempo, e se contentou em deixar a prorrogação correr livre em direção à disputa de pênaltis. Merecia porque não teve o mínimo de organização pra segurar as investidas de uma LDU que, de tanto que errava, chegava a parecer desinteressada. E merecia porque achou que já estava ganho. Pelo amor de Deus: quantas vezes os times brasileiros vão ter que perder pra equipes menores, dentro de casa, até aprenderem que nenhum jogo é vencido na véspera???

A arbitragem foi ruim, claro. Mas também ajudou o Flor. E que não venham reclamar agora, porque já faz um ano que o Flamengo vem protestando contra esse Hector Baldassi. O cara que apitou o jogo com 42 minutos de bola parada que nos tirou da Libertadores do ano passado. Protestos classificados pelos próprios tricolores de "choro". Quem está chorando agora?

Agora o grande time do Fluminense deve sofrer um desmanche. Uma pena. Por mais que eu tenha rido quando acabou o jogo, é um pouco triste ver a imagem de uma torcida incrédula, chorando em silêncio. Ainda me lembro bem como é sentir isso. Não vou entrar na conversa de perdedor, mas parabéns ao time do Flor por tudo que conquistou no torneio. E bola pra frente.

O lado bom disso tudo é ver a imprensa esportiva caindo na realidade. Porque se o Fluminense ganha, vira o Dream Team do futebol. Agora eles vão ser analisados com mais imparcialidade, de maneira mais cuidadosa, e vão parar com essa história de "melhor futebol do Brasil", "time que mais joga bonito" - títulos que atualmente tem sido sinônimo de derrotas e decepções, aliás.



Resta ao Flor ter força pra se recuperar no Brasileiro e agüentar as piadas em cima do caminhão de escadas que o Renato Gaúcho fez o favor de deixar. E que levem pra sempre a lição que aprenderam ontem - a mesma, aliás, que deram ao Boca Juniors quando desclassificaram o time argentino: nem sempre ganha o melhor.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Seleção Brasileira: e eu com isso?

É uma palhaçada.

A Seleção Brasileira é apenas um reflexo do que já acontece há um bom tempo no futebol do País. Uma entidade comanda nosso futebol de maneira soberana e não enfrenta resistência por causa da vaidade e egocentrismo dos nossos cartolas e do próprio povo brasileiro.

A CBF é isso, o Ricardo Teixeira é aquilo, mas aí o São Paulo é campeão e lança uma camisa escrita "penta único". De repente, não interessa se a Confederação atropelou o bom senso e o acordo firmado com o Clube dos 13 em 87 ou se a relação com o Flamengo sempre foi boa: o que importa é enaltecer o seu feito, como se o futebol brasileiro girasse ao redor de um ou outro clube apenas.

Claro que quando o Corinthians brota no Mundial sem ganhar a Libertadores e ganha o título, aí vale a pena passar horas pesquisando motivos históricos, operacionais e técnicos pra mostrar como o campeonato não valeu nada, como a CBF e a Fifa não tiveram bom senso, como não honraram o esquema de disputa do Mundial.

Do mesmo jeito que vale pro Palmeiras criticar até hoje o São Paulo e o envolvimento com a política, quando teria recebido o Morumbi e diversas vitórias de presente, enquanto assiste de camarote Ricardo Teixeira tentando transformar uma Copa Rio da década de 50 em mundial pra agradar o José Serra.

Politicagem que deixa indignado o Fluminense, também campeão da Copa Rio, que não recebeu ajuda na reivindicação do mundial e não teve motivos pra abrir um champagne, como fez com a virada de mesa em 96 e 2000, quando o time não caiu e subiu da Série C pra A do Brasileiro. Virada de mesa que deixa indignado o Grêmio, que caiu em 2004 e sem o benefício de alguma manobra foi obrigado a jogar a Série B. O mesmo Grêmio que ficou em 11º na segundona de 1991 e só subiu no ano seguinte por armação de bastidores.

E o torcedor, o mesmo que hoje despreza e se lamenta pelo futuro da Seleção Brasileira, é o mesmo são-paulino que aplaudiu o “penta único”, o mesmo palmeirense que torceu pelo “mundial”, o mesmo tricolor que tomou champagne em 96, o mesmo flamenguista, vascaíno, gremista, colorado, santista que a cada ano resolve esquecer as lambanças da CBF pra poder começar a semana rindo do time do colega na no trabalho, na escola, na rua.

E no circo do futebol brasileiro, enquanto o público tiver seus 5 minutos de alegria, de vantagem, vai continuar aplaudindo. E enquanto o público aplaude e ganha o “panis”, o “circense” continua faturando, enchendo os bolsos. É, sem dúvida, uma palhaçada.

Mas quem são os palhaços da história?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Brasileiro: a obrigação também é nossa

É natural que a torcida do Flamengo tenha ficado traumatizada com a derrota na Libertadores. Também é natural que, por causa disso, exista uma cobrança maior sobre o time. Mas tenho muitas ressalvas à essa história de "Brasileiro é obrigação".

Nossa torcida sempre fez a diferença apoiando, nunca bravinha, batendo o pé, cruzando os braços e cobrando. Não podemos cair na armadilha fácil que é alimentar nossa raiva e querer descontá-la em todos os jogos, em cada erro. A Libertadores já acabou faz muito tempo! Vaias e reclamações exageradas podem criar um clima tenso desnecessário entre time e torcida, exatamente o tipo de coisa que pode nos custar o título. E quem vai sofrer mais com isso? Os jogadores, que em poucos meses vão embora pra outros clubes, ou nós, torcedores, que vamos continuar sem o hexa?

Foi importante demonstrar a nossa indignação, mas a hora agora é outra. Estamos no momento em que a única coisa que importa é apoiar, cantar sem parar até o adversário entregar os pontos. Se a obrigação do Flamengo é ganhar campeonato, então vamos fazer a nossa parte e tornar as coisas mais fáceis.